- Detalhes
- 01-05-2012
- Reportagem
A cerca de 1h20 de distância de Lisboa, Marraquexe, em Marrocos, transformou-se na mais recente aposta de risco do operador Soltrópico. Dando-o a conhecer melhor aos seus agentes, o operador convidou cerca de 165 agentes para mostrar as potencialidades daquele destino.
Num programa denominado “48h Marraquexe”, o objectivo era embrenhar-nos numa realidade díspar, ao que o ocidente está habituado, mas ao mesmo tempo dar-nos a entender, que mesmo as grandes diferenças, não é sinónimo de desconforto cultural.
Para os mais “quadrados” é necessário uma mente mais aberta, daquelas que o passar dos anos nos tem incutido permitindo o respeito pelas diferenças alheias.
E é mesmo isso que Marraquexe nos mostra. Maioritariamente muçulmana, convivem diariamente naquela cidade judeus e cristãos, onde cada religião conta com as suas mesquitas, sinagogas e igrejas para prestar o seu culto, numa cidade religiosamente tolerante onde impera o respeito.
A nossa viagem pela cidade vermelha – dada a cor dos edifícios – começa pelo ex-libris da cidade. A Praça de Jemma El Fna.
Iluminada, de noite, tem todo um encanto, que não se perde, quando calcorreada durante o dia. Local de encontro de vários artesãos, é um festival de cores e de multidão onde se encontram grupos de contadores de histórias, encantadores de serpentes, tatuadoras de henna, grupos a dançar, stands para refeições e comércio local. Todo um “preview” do que a cidade tem para nos oferecer.
Com o árabe como lingua nativa, a cidade que dá “abrigo” a 22 mil estrangeiros residentes é também fluente na lingua francesa. Herança deixada pela passagem dos franceses por Marrocos no início do século passado quando por ali criaram as suas colónias.
Numa aposta direccionada para o segmento cultural, a nossa visita segue para o edifício mais alto da cidade. A mesquita Koutoubia.
O nome, que traduzido significa “bibliotecário”, faz jus aos vendedores de pergaminhos que antigamente circulavam a mesquita. A determinadas horas do dia, os seus altifalantes instalados a meio do edifício chamam os muçulmanos para as suas orações. As bolas em bronze, no seu topo, anunciam, que aquele espaço, é sagradamente destinado para as rezas dos muçulmanos.
Um dos locais de visita obrigatória a quem visita aquela que já foi a capital de Marrocos, são os Túmulos Saadinos.
Construído no século XVI, o cemitério é o local de descanso eterno de sultões e seus familiares, assim como de alguns escravos e desconhecidos, onde a ausência de algumas lápides impede de saber a sua identidade. Garantidamente, é certo que estão enterrados de lado e virados para Meca.
Os azulejos que cobrem os túmulos, condição de quem dispunha de mais dinheiro para os poder embelezar, e os detalhes e pormenores em estuque e os jardins que os rodeiam, faz com que seja um local de visita turística.
Seguimos para o Palácio Bahia.
Junto ao Bairro Judeu ergue-se o palácio em estilo árabe, outrora residência do sultão, das suas quatro mulheres e 24 concubinas. O seu interior, com detalhes e pormenores arabescos, vitrais e azulejos está repleto de jardins interiores.
Depois da morte do sultão, no início do século passado, o palácio foi barricado pelos escravos, guardas e mulheres. Sem ninguém poder entrar nem sair, quem permaneceu no interior tomou posse de todos os bens que encontrou, tendo eventualmente ocorrido assassinatos, na disputa pelos bens de maior valor. Despojado dos seus maiores valores, e com a família expulsa, o Palácio foi abandonado, passando mais tarde para o Estado. Hoje em dia é um local turístico, com uma parte disponível para ser visitada, enquanto outra permanece como residência oficial da família real marroquina quando visita a cidade.
Vivenciar a experiência berbere é uma realidade em Couleurs Berberes. A 40km de Marraquexe rodeado pelas montanhas do Atlas e a aridez característica da região o complexo direccionado para o Team Building, Couching e Formação oferece tendas como alojamento permitindo uma experiência semelhante a dos berberes.
Para além do almoço onde imperou a gastronomia local, como o carneiro em tagine, vegetais, espetadas e o indispensável chá de menta, seguiu-se uma tarde de actividades divertidas, como a aprendizagem da dança do ventre, pólo em burro, passeios de camelo, corrida de babuchas (sapato típico) gigante ou tatuagens de henna.
No entanto a verdadeira experiência marroquina estava guardada para o jantar. Com o Chez Ali como fundo, é possível disfrutar e fazer um apanhado de toda a cultura do país. Passando por uma experiência gastronómica em tendas, como ao espectáculo que nos é apresentado, ou pelos vários grupos de dança tradicional que nos acompanha durante o percurso do imenso complexo, sempre acompanhados pelas lojas com souvenirs regionais.
E terminamos a noite na Disco Silver. A discoteca do momento da cidade, revela toda a arquitectura da cidade no seu interior. Com várias salas no seu interior, a primeira, é uma discoteca normal. Acedendo ao piso superior, somos surpreendidos com vários concertos de bandas que fazem o público abanar a cabeça, ou até mesmo dar espaço para as dançarinas do ventre poderem mostrar os seus dotes ao ritmo da batida. Uma fusão entre o oriente e o ocidente que funciona na perfeição.
O dia seguinte, e último, é dedicado às compras. Para tal, nada melhor que os souks. Os mercados marroquinos, com as suas cores, cheiros e preços convidativos são um verdadeiro gáudio para os amantes de compras. Desde pequenos souvenirs, a especiarias a objectos de decoração marroquinos, a dúvida vai ser mesmo o que levar e como fazer caber na mala de viagem.
Um pequeno conselho: Atreva-se a regatear!
Circular a pé pelas ruas de Marraquexe não é fácil para quem está habituado a regras de trânsito. Considerado caótico por um ocidental, a verdade é que os marroquinos até conseguem encontrar uma harmonia numa condução “sem regras” que combina ciclomotores, automóveis, ciclistas ou charretes.
E seguimos para o Aeroporto Internacional de Menara para regressar ao lar. Pelo caminho, fica a vontade de voltar e de descobrir um pouco mais daquela cultura fascinante.
Sandra Silveira – 02Maio2012 @Opção Turismo
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